A fissura labiopalatal e seu tratamento 

As fissuras labiopalatinas ocasionam distúrbios estéticos e funcionais, que podem ser agravados principalmente pela ausência de um tratamento adequado e correto.

Devido ao caráter evolutivo das deformidades, o tratamento a ser realizado é de longa duração, portanto, este se estende do nascimento até o término do crescimento facial e maxilar. Este tratamento ainda possui uma característica multidisciplinar, onde varias especialidades odontológicas e médicas atuam em conjunto.

A primeira etapa deste é fornecer aos pais informações com relação à fissura labiopalatina logo após o nascimento da criança e proporcionar assim expectivas realísticas. Um contínuo esforço deve ser mantido no sentido de fornecer informações nos vários estágios de reabilitação da criança durante os anos seguintes.

A segunda etapa, de acordo com muitos profissionais da área, é a ortopedia maxilar precoce no recém-nascido, também denominada de ortopedia neonatal ou tratamento ortopédico pré-operatório. O seu principal valor é possibilitar após o nascimento sucção razoável nas primeiras mamadas, dispensando tubos nasogástricos, conta-gotas e colheres, empregadas em alguns hospitais-maternidade por encontrarem dificuldade de alimentação neste, período. Esses aparelhos são: placas ortopédicas ou obturadores palatinos, casquetes extrabucais de apoio pericraniano e apoio pré-maxilar e esparadrapos especiais. A duração desta fase depende da resposta ao tratamento pré-operatório e do acompanhamento pediátrico. A criança deverá alcançar o peso adequado para o procedimento cirúrgico, assim como deve estar em boas condições nutricionais e físicas.

A etapa cirúrgica se inicia pela cirurgia do lábio (queiloplastia) e é indicada pela maioria dos profissionais em torno de 3 meses de idade no fissurado unilateral e 6 meses de idade no fissurado bilateral. Porém, esta indicação depende das equipes multidisciplinares, pois ainda existem profissionais que realizam a cirurgia ao nascimento.

A palatoplastia, ou cirurgia do palato é realizada em torno dos 18 meses de idade. Há diversas propostas de técnicas cirúrgicas em épocas diferentes, sendo a fala a maior preocupação.

O atendimento fonoaudiólogo também deve ser iniciado precocemente (de 0 a 4 anos de idade) e tem como objetivo orientar os familiares e prevenir e estimular o sistema fonoarticular, para a obtenção de melhores resultados fonéticos com a aquisição correta da fala e menor incidência da hipernasalidade (característico desta malformação).

O paciente também deve ter acompanhamento odontopediátrico, devido a maior suscetibilidade à cárie dentária e maior incidência de alterações do esmalte dental, erupção dos dentes em má posição, ausência de um ou mais dentes ou ainda a presença de supranumerários (dentes a mais), principalmente na região da fissura. Será dada uma ênfase ao controle da cárie dentária e a higiene bucal. E ainda o acompanhamento ortodôntico, onde na maioria das vezes são associados aparelhos removíveis com fixos.

Também não pode ser esquecida a realização de um efetivo acompanhamento psicológico, pois em geral, essas crianças possuem uma deformidade estética visível, que pode levar à reações negativas por parte dos pais, irmãos, amigos, professores e outros adultos.

O tratamento precoce e multidisciplinar tenta proporcionar aos pacientes portadores de fissuras labiopalatinas as condições necessárias para o desenvolvimento harmonioso das funções bucofaciais, assim como a sua integração a sociedade.

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