O “Sem Glúten” na dieta. Moda ou necessidade?

Com esse assunto estando tão em voga ultimamente, nada melhor do que iniciarmos falando sobre o que é esta substância tão famosa: o glúten. Na verdade ele refere-se às proteínas do trigo na planta. A parte do glúten tanto nutre o trigo durante a germinação, quanto em seu crescimento.

Quando colhido, o trigo é moído e beneficiado para a produção de várias preparações, tornando-se então a farinha de trigo. O glúten é a fração do trigo que afeta a elasticidade da massa, e lhe confere aquela “crocância”, ou seja, aquele pãozinho francês fofinho que você ingere, é assim graças ao glúten.

Ele é encontrado não só no trigo, como na cevada e centeio. Já a aveia, é dita como possuidora do glúten devido a contaminação em máquinas que também processam o trigo, e em seguida, processam a aveia, mas com o avanço tecnológico, hoje já existe no mercado a mesma sem glúten, sendo esta processada cuidadosamente em máquinas exclusivas para tal. Portanto, todos os outros alimentos, sendo eles por exemplo o arroz, o milho, o feijão, a mandioca, o inhame, o cará etc, por sua natureza, não contêm glúten, a não ser que tenham sido contaminados ou preparados juntos com o trigo também.

E por que existe então a moda do “sem glúten” ou glúten free?

Bem, existem muitos motivos que podem ser apresentados. Eu posso descrever os que constato diariamente em meu consultório em São Paulo e no Rio de Janeiro onde atendo, e também baseado em relatos de amigos nutricionistas os quais tenho contato.

Hoje em dia, se pararmos para perguntar como é seu dia alimentar, possivelmente você vai me descrever assim:

No café da manhã eu como 2 torradas integrais ou não integrais, com queijo, café e um suco. Na hora do almoço, como estou com pressa, como uma massinha. A tarde quando consigo dar uma paradinha, compro uma coxinha com refrigerante. A noite, quando chego morta (o) em casa, faço uma pizza de frigideira porque é rápida ou um rapidex porque é prático e recheio-o com presunto e queijo. E antes de dormir como um docinho foleado.

Descreva – me o que se vê mais predominantemente neste dia e o que menos tem? Eu respondo: muita farinha e poucas fibras, vitaminas e minerais. Resultado? Muito cansaço. Cansaço crônico, distensão abdominal, inchaço nos pés, dores de cabeça e por aí vai.

Quando ingerimos uma quantidade enorme de um determinado alimento, a tendência é desenvolvermos certa intolerância para o mesmo. Comer poucos alimentos ricos em fibra como frutas e vegetais, também vai ajudar a aumentar esta intolerância.

Eu gosto de interpretar de uma maneira muito simples a intolerância ao glúten. Retire-o completamente da sua dieta. Fique pelo menos 1 mês sem. Recoloque. Se tiver alguma reação como diarreia, distensão abdominal, retenção de liquido, dor de cabeça, tontura,  repense sobre esta ingestão. Faça o mesmo com maçã, melão, peixe. Retire, recoloque e veja a diferença. Se você ficar sem alguns alimentos por um tempo e recolocá-los, provavelmente nada vai acontecer, e é assim que os alimentos que contém glúten devem se comportar.

A retirada do glúten por um tempo maior, ou qualquer alteração na sua dieta, é melhor se acompanhada por um nutricionista, pois ele pode programar a retirada, e colocar melhores opções para que não falte energia e nenhum nutriente.

Fazer rodízio de alimentos e fontes alimentares é uma idéia bem saudável. Super saturar o organismo de um tipo só de ingrediente é sobrecarregá-lo sem trégua para a recuperação, tornando-o mais frágil e susceptível a reações indesejadas.

Claro que o arroz com feijão é bem-vindo, e muito, todos os dias, mas são grãos e na sua maioria integrais como o feijão por exemplo. Portanto, vamos agitar o dia-a-dia, incluindo outros tipos de alimentos na dieta!

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Jaqueline Müller
Nutricionista – ortomolecular e esportiva com ênfase em nutrição funcional
Mestrado pela USP em ciências
Atende no Hospital Santa Júlia
Telefone: (12) 981112767
Atendimentos também no Rio de Janeiro – São Paulo e interior além de vir todos os meses para atendimento em Manaus.

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