Em entrevista à Em Visão, Lelê Burnier TRANSFORMA MODA EM POSICIONAMENTO E LIBERDADE.

Lelê Burnier
  1. Em um cenário onde a presença feminina ganha cada vez mais protagonismo, qual foi o momento decisivo da sua trajetória que consolidou sua força e identidade como mulher de sucesso?
    “Acho que o momento decisivo foi quando eu entendi que podia transformar minha paixão por moda em posicionamento. No começo, muita gente enxerga o nosso trabalho só pela estética, mas existe estratégia, estudo, construção de imagem e responsabilidade por trás disso. Quando eu passei a assumir minha voz, minhas opiniões e meu olhar como algo legítimo, e não apenas “conteúdo”, eu me senti mais forte. Foi quando eu entendi que não estava só participando da indústria, estava construindo meu espaço dentro dela.”
  2. O Dia Internacional da Mulher também é sobre legado. Que marca você deseja deixar para as próximas gerações de mulheres que acompanham sua história e se inspiram na sua caminhada?
    “Eu quero deixar como legado a liberdade. Liberdade de se expressar, de mudar de ideia, de construir uma carreira fora do óbvio. Quero que as meninas que me acompanham sintam que podem gostar de moda e, ao mesmo tempo, falar de negócios, de estratégia, de cultura. Que entendam que estilo também é identidade e que ocupar espaços não significa se encaixar, significa imprimir quem você é ali.”
  3. Entre desafios, superações e conquistas, o que ainda precisa evoluir para que mulheres ocupem espaços de poder com naturalidade, respeito e igualdade plena?
    “Ainda precisamos quebrar a ideia de que mulheres precisam provar o tempo todo que são capazes. Existe uma cobrança muito maior, especialmente em ambientes de liderança ou influência. Também é importante ampliar o acesso, nem todas as mulheres começam do mesmo lugar. Igualdade real passa por oportunidade, educação, representatividade e, principalmente, por uma mudança cultural que normalize mulheres em posições de decisão sem que isso seja visto como exceção.”
  4. Somos a revista mais influente da Amazônia. Qual mensagem você deixa para as mulheres amazônicas?
    “Às mulheres amazônicas, eu deixo uma mensagem de orgulho da própria identidade. A Amazônia carrega uma potência cultural e simbólica enorme, e isso também é força feminina. Que vocês usem suas referências, suas raízes e sua história como diferencial, não como limite. O mundo está cada vez mais atento à autenticidade, e autenticidade vocês têm de sobra. Ser mulher é ser expressão, de estilo, de força e de identidade, e cada uma de vocês carrega isso de um jeito único.”