
Cuidar da saúde mental é transformar histórias, fortalecer vidas e abrir caminhos para novos recomeços. É com esse propósito que a psicóloga Gabrielle Nishimura constrói sua trajetória, unindo ciência, acolhimento e dedicação à Psicologia Baseada em Evidências. Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e Terapia Comportamental Dialética (DBT), ela representa a força do protagonismo feminino e o compromisso com uma psicologia humana e de excelência na Amazônia.
O que a motivou a escolher esta especialidade?
GN- Sempre fui apaixonada pelo comportamento humano. Sempre gostei de gente, de ouvir histórias e de entender o que existe por trás de cada pessoa.
Desde muito nova eu observava pessoas, histórias, escolhas e me perguntava por que fazemos o que fazemos.
Antes da Psicologia, cursei Jornalismo. Gostava de contar histórias, mas, em algum momento, percebi que queria fazer mais do que narrá-las. Eu queria participar da transformação delas.
Foi aí que encontrei a Psicologia.
O jornalismo registra histórias. A Psicologia ajuda a reescrevê-las.
Como a Psicologia entrou na sua vida e se transformou em propósito?
GN- A Psicologia me mostrou que por trás de todo comportamento existe uma história que merece ser compreendida.
Descobri que acolher alguém não significa apenas ouvir sua dor, mas ajudá-lo a construir habilidades para viver de forma diferente.
Hoje meu propósito é esse: oferecer um cuidado humano, científico e que gere mudanças reais.
Em que momento você percebeu que cuidar da saúde emocional seria a sua missão?
GN- Quando percebi que conhecimento muda vidas.
Ver uma pessoa voltar a dormir, reconstruir um relacionamento, superar um trauma ou simplesmente recuperar a esperança é algo que não se explica. Acompanhar alguém na construção de uma vida que valha a pena ser vivida, com propósito e sentido, faz tudo valer a pena.
Ali eu entendi que estava exatamente onde deveria estar.
Como foi o início da sua trajetória profissional e quais desafios marcaram essa caminhada?
GN- Começar nunca é simples. Construir credibilidade, conquistar pacientes e, ao mesmo tempo, continuar estudando intensamente exige disciplina.
Mas sempre acreditei que competência é construída no silêncio, antes de aparecer nos resultados. Nunca parei de estudar e me capacitar porque acredito que pessoas merecem profissionais preparados.
Quais experiências mais contribuíram para a profissional que você é hoje?
GN- A clínica, sem dúvida, foi uma das maiores escolas da minha vida. Cada paciente amplia o meu olhar e me ensina uma nova forma de compreender o sofrimento humano. Mas a profissional que sou hoje também foi construída fora do consultório. A maternidade, os aprendizados de um casamento de 15 anos, os recomeços que fizeram parte da minha história, as perdas, as alegrias e tudo o que vivi me tornaram uma psicóloga mais sensível, humana e capaz de acolher sem julgamentos.
Somo a isso minhas especializações, a supervisão clínica e o estudo constante da Psicopatologia e das terapias baseadas em evidências. A ciência me oferece direção. A vida me oferece sensibilidade. E os pacientes me lembram, todos os dias, do privilégio e da responsabilidade que é cuidar de pessoas.
Existe algum caso ou encontro que transformou a sua forma de enxergar a Psicologia?
GN- Não consigo escolher apenas um caso, mas me lembro de uma paciente com um intenso padrão de desregulação emocional, marcada por inúmeros relacionamentos frustrados e que chegou ao consultório após uma tentativa de suicídio. Naquele momento, ela acreditava que sua dor era maior do que qualquer possibilidade de futuro.
Acompanhar sua reconstrução foi uma das experiências mais marcantes da minha trajetória. Ver alguém reaprender a viver, desenvolver novas formas de lidar com as emoções e recuperar a esperança reforçou em mim a certeza de que a Psicologia não é sobre “consertar” pessoas. É sobre oferecer um espaço seguro para que elas descubram recursos que, muitas vezes, nem imaginavam possuir.
Todos os dias encontro pessoas extremamente fortes que acreditavam ser fracas por causa de alguns momentos de desesperança. A Psicologia me ensinou que, muitas vezes, aquilo que chamamos de fraqueza é apenas alguém tentando sobreviver da única forma que aprendeu.
Como você define o papel do psicólogo na sociedade contemporânea?
GN- O psicólogo ajuda pessoas a compreenderem a si mesmas.
Não damos respostas prontas. Construímos perguntas melhores. Saímos do vício das repostas e treinamos habilidades emocionais e sociais para uma vida significativa.
E quando alguém aprende a entender seus pensamentos, emoções e comportamentos, ganha liberdade para fazer escolhas mais conscientes.
Por que cuidar da saúde mental se tornou uma necessidade tão urgente nos dias de hoje?
GN- Vivemos conectados o tempo todo, mas cada vez mais desconectados de nós mesmos.
Há excesso de informação, excesso de comparação e uma enorme escassez de silêncio, presença e descanso.
A saúde mental deixou de ser um luxo. Hoje, ela é uma necessidade. Quando a mente não está bem, o corpo sente, os relacionamentos sofrem, o trabalho perde qualidade e a vida deixa de ser vivida em sua plenitude. Cuidar da saúde mental é cuidar da forma como escolhemos viver.
Quais são os principais desafios emocionais que você observa nas pessoas atualmente?
GN- Ansiedade, dificuldade para regular as emoções, relacionamentos fragilizados, sensação constante de insuficiência e uma cobrança excessiva por desempenho são alguns dos maiores desafios emocionais da atualidade.
Muitas vezes, não falta amor. Falta habilidade para se relacionar. Amar é até de certa forma instintivo. Relacionar-se exige comunicação, regulação emocional, empatia e a capacidade de lidar com conflitos.
Aprendemos a produzir, performar e entregar resultados. Mas poucas pessoas foram ensinadas a cuidar de si mesmas e a construir relações saudáveis
Como a ansiedade, o excesso de informação e a pressão por desempenho têm impactado a saúde mental?
GN- Estamos vivendo uma cultura da urgência.
Tudo precisa acontecer rápido. As pessoas não descansam porque se sentem culpadas.
Não basta ser bom; parece que é preciso provar isso o tempo inteiro.
Não sabemos mais o que é autenticidade e o que é performance.
Esse cenário favorece ansiedade, esgotamento e perda de sentido.
Qual a importância do autoconhecimento no processo de transformação pessoal?
GN- O autoconhecimento não muda a vida sozinho.
Mas ele mostra o caminho. Quando entendemos nossos padrões, crenças e emoções, deixamos de viver no piloto automático. E é aí que a transformação começa.
O que ainda precisa mudar para que a terapia seja vista com mais naturalidade e menos preconceito?
GN- Precisamos compreender que terapia não é para quem é fraco.
É para quem deseja viver com mais consciência.
Assim como cuidamos do corpo, também precisamos cuidar da mente.
Como você trabalha o acolhimento e a escuta dentro do consultório?
Meu paciente encontra um espaço seguro.
Ele será ouvido sem julgamentos, mas também será desafiado a crescer.
Acolhimento não é concordar com tudo.
É caminhar ao lado da pessoa enquanto ela aprende novas formas de enfrentar a vida.
Quais valores norteiam o seu atendimento e a sua relação com os pacientes?
Ciência.
Ética.
Respeito.
Empatia.
Individualidade.
Amor. Muito amor.
E a convicção de que toda intervenção precisa fazer sentido para aquela pessoa específica.
Como você define sucesso e realização na sua profissão?
GN- Sucesso é quando um paciente percebe que já não precisa tanto de mim porque aprendeu a caminhar sozinho.
Não existe resultado mais bonito do que esse.
Quais aprendizados o empreendedorismo trouxe para a sua carreira?
GN- Empreender me ensinou que o conhecimento técnico é indispensável, mas, para gerar impacto, também são necessárias organização, liderança e visão.
Hoje entendo que cuidar de uma empresa e cuidar de pessoas exige o mesmo compromisso com a responsabilidade, a ética e a busca constante pela excelência.
Como você equilibra a vida profissional, a vida pessoal e o cuidado consigo mesma?
GN- Ainda estou aprendendo. Mas faço o melhor que posso com o que tenho.
Hoje sei que cuidar de mim não é egoísmo.
É responsabilidade.
Leitura, atividade física, momentos com meus filhos, minha fé, meus amigos e tempo de qualidade são partes importantes desse equilíbrio.
O que a Psicologia lhe ensinou sobre as relações humanas?
GN- Aprendi que quase todo comportamento faz sentido quando conhecemos a história de uma pessoa.
Ninguém se torna quem é por acaso. Todo comportamento tem um contexto, uma história e uma função.
Isso me ensinou a julgar menos, compreender mais e nunca perder a curiosidade genuína sobre o ser humano.
Qual é o maior propósito que move o seu trabalho diariamente?
GN- Meu maior propósito é mostrar às pessoas que elas não precisam ser reféns da própria história.
Elas podem compreendê-la, ressignificá-la e construir uma vida mais coerente com quem desejam ser.
Acredito que a verdadeira transformação acontece quando deixamos de apenas sobreviver e passamos a viver de forma consciente, com propósito e responsabilidade pelas nossas escolhas.
Que legado você deseja deixar por meio da sua profissão?
GN- Quero ser lembrada como uma psicóloga que uniu ciência, humanidade e leveza, sem perder a espontaneidade e a alegria de viver.
Que mostrou que é possível falar de saúde mental com profundidade, acolhimento e, muitas vezes, com um sorriso no rosto.
Que estudou muito porque acreditava que as pessoas merecem o melhor cuidado possível.
E que ajudou vidas a encontrarem direção, esperança e autonomia.
Ping Pong
Uma palavra que define sua essência: Coerência.
Psicologia para você é: Ciência que transforma vidas.
Um valor inegociável: Excelência.
Um hábito que cuida da sua saúde mental: Ler.
Um livro que transformou sua vida:
Escolher apenas um é difícil, mas ‘Tornar-se Pessoa’, de Carl Rogers, transformou profundamente a minha forma de enxergar o ser humano.
O livro me marcou pela ideia de que as pessoas não são definidas pelos seus diagnósticos, pelos seus erros ou pela pior fase de suas vidas. Quando encontram um ambiente de aceitação, autenticidade e compreensão, elas têm uma capacidade surpreendente de crescer e se transformar.
Essa leitura me ensinou algo que levo para todos os atendimentos: antes de qualquer técnica, existe uma pessoa.
Uma frase que a inspira:
A felicidade mora na coerência entre quem somos, o que valorizamos e a forma como escolhemos viver.
Manaus para você é:
Manaus é a cidade onde a minha história ganhou profundidade. Foi aqui que vivi grandes desafios, grandes alegrias e me tornei a profissional que sou hoje.
Um sonho que ainda deseja realizar:
Ver a Psicologia ocupando cada vez mais espaços, com profissionais bem formados, comprometidos com a ciência e com um cuidado verdadeiramente humano. Quero fazer parte dessa construção e contribuir para que cada vez mais pessoas tenham acesso a uma saúde mental de qualidade.
Onde encontrar:
@gabriellenishimura_
@institutotermais










