ALINE SIQUEIRA: O ENCERRAMENTO DE UM CICLO MEMORÁVEL E O INÍCIO DE UMA NOVA JORNADA

Arquiteta e urbanista, terapeuta integrativa e idealizadora da Recatu, Aline Siqueira construiu, ao longo dos últimos anos, uma trajetória marcada pela sensibilidade, pela valorização da natureza e pela promoção do bem-estar como um estilo de vida. Mais do que um espaço, a Recatu tornou-se uma referência em Manaus ao reunir arquitetura, arte, biofilia, gastronomia sensorial, terapias integrativas e experiências voltadas à ampliação da consciência. Nesta entrevista exclusiva à Revista Em Visão, Aline fala sobre o encerramento desse ciclo, relembra o legado construído, compartilha os aprendizados dessa jornada e revela os caminhos que pretende seguir em uma nova fase de sua vida, reafirmando seu compromisso com a saúde integral, a natureza e a transformação humana.

Após anos dedicados à Recatu, o encerramento desse ciclo representa mais do que o fim de um empreendimento. O que esse momento significa para você e quais sentimentos o acompanham?

AS- Encerrar a Recatu não significa colocar um ponto final em uma história, mas reconhecer que alguns ciclos cumprem sua missão e precisam se transformar para que outros possam nascer.

É um momento de profunda gratidão. Foram anos de muito aprendizado, encontros, desafios e, principalmente, de conexões humanas.

Existe uma emoção inevitável ao me despedir de um espaço que nasceu de um sonho pessoal, mas ela vem acompanhada da serenidade de saber que tudo o que foi construído permanece vivo nas pessoas que passaram por ali.

A natureza sempre me ensinou que florescer, recolher-se e renascer fazem parte do mesmo ciclo. Hoje escolho respeitar esse tempo.

Ao revisitar a história da Recatu, qual você considera ser o principal legado deixado para Manaus e para a Amazônia?

AS– Acredito que o maior legado da Recatu foi ampliar a compreensão sobre o que realmente significa bem-estar.

Hoje, a palavra wellness costuma ser associada apenas ao autocuidado ou à estética. Para nós, ela sempre significou algo muito mais profundo: a maneira como nos conectamos com a natureza, como habitamos os espaços, nos alimentamos, cultivamos nossas relações, com a arte, com o conhecimento e conosco.

A Recatu nasceu para ampliar a consciência. Reunimos arquitetura, biofilia, terapias integrativas, gastronomia sensorial, yoga, meditação, palestras sobre saúde, Ayurveda, nutrição, música, arte e experiências em um único lugar.

Acredito que Manaus precisava de espaços assim. Em uma rotina cada vez mais acelerada, oferecer um ambiente dedicado ao encontro, à contemplação, ao aprendizado e à reconexão era também uma forma de contribuir para a qualidade de vida da nossa sociedade.

Tenho orgulho de perceber que muitas pessoas passaram a olhar para a natureza, para seus lares e para sua própria saúde de maneira diferente depois de viverem essa experiência.

Esse legado permanece.

Mais do que um empreendimento, a Recatu tornou-se um espaço de encontros, afeto e transformação. Entre tantas memórias, existe alguma que represente, de forma especial, a essência desse projeto?

AS– É difícil escolher apenas uma história.

Talvez o que mais me emocione seja uma frase que ouvi inúmeras vezes:

“Eu queria morar aqui.” ou “Posso dormir aqui?”

Isso me tocava profundamente porque significava que o espaço cumpria exatamente sua missão.

Como arquiteta, sempre acreditei que os ambientes influenciam nosso estado emocional. Cada planta, cada aroma, cada textura, a iluminação, o chá servido, o som do piano. Tudo era pensado para despertar presença e sensações.

Empreender também exige sensibilidade para reconhecer o momento de transformar caminhos. O que motivou essa decisão e quais aprendizados essa trajetória deixa?

AS-   Empreender exige coragem para começar, mas também sabedoria para perceber quando é hora de mudar de direção.

A decisão nasceu de uma reflexão muito consciente sobre o momento que estou vivendo, e de que forma isso impacta nesta nova fase da minha vida.

Aprendi que propósito precisa caminhar junto com sustentabilidade e que mudar de rota não significa abandonar um sonho.

Localizada em um dos bairros mais tradicionais e valorizados de Manaus, a Recatu conquistou admiradores fiéis. Na sua visão, o que tornou esse espaço tão singular?

AS-Acredito que o diferencial da Recatu nunca esteve em um único serviço, mas em como tudo se conectava.

A arquitetura biofílica acolhia quem chegava; a Casa de Chá convidava à pausa e à descoberta de sabores; as terapias integrativas promoviam cuidado; o piano trazia memória, cultura e sensibilidade; as exposições de arte, as práticas de yoga e de meditação, os cursos e as palestras ampliavam o olhar sobre saúde, comportamento e qualidade de vida.

E havia um espaço muito especial para mim: o Ateliê Botânico.

Ali, as flores e as plantas nunca foram apenas elementos decorativos. Eram matéria-prima para criar arte e despertar um novo olhar sobre a natureza. Sobre os ciclos da vida, a beleza da impermanência e a riqueza da biodiversidade amazônica.

Tudo fazia parte de um mesmo propósito: ampliar a consciência por meio da natureza. 

Ao encerrar esse capítulo, que mensagem você gostaria de deixar para clientes, parceiros, colaboradores e todos que fizeram parte da história da Recatu?

AS – A Recatu só existiu porque muitas pessoas acreditaram nesse sonho junto comigo. Cada cliente, colaborador, terapeuta, parceiro, artista e fornecedor ajudou a construir essa história.

Levo comigo cada conversa, cada abraço e cada demonstração de carinho.

Espero que todos guardem a Recatu como um lugar onde sempre houve espaço para respirar, aprender, sentir e desacelerar.

 Todo encerramento também abre espaço para novos horizontes. Quais projetos, sonhos e propósitos passam a fazer parte dessa nova fase?

AS– Continuo acreditando profundamente que a conexão entre natureza, arquitetura e terapias podem transformar a forma como vivemos.

Seguirei desenvolvendo projetos de arquitetura de interiores, atuando com reiki e cristaloterapia clínica, além de estudar outros temas, como astrologia.

Também desejo ampliar meu trabalho por meio de palestras, vivências e experiências que promovam autoconhecimento, saúde integral e conexão com a natureza.

Se pudesse traduzir a essência da Recatu em uma única palavra, qual seria e por quê?

AS-

Reconexão.

Porque tudo o que fazíamos tinha esse propósito: reconectar as pessoas consigo mesmas, com a natureza, com os sentidos, com o tempo presente e com aquilo que realmente importa.

Consciência.

Consciência sobre a natureza; sobre o corpo; sobre as emoções; sobre os espaços que habitamos.

A reconexão era o caminho, a consciência sempre foi o propósito.

Ao longo dessa caminhada, você inspirou e impactou muitas pessoas. Que conselho deixa para quem deseja empreender com propósito, sensibilidade e autenticidade?

 AS – Construa algo que faça sentido para você antes de tentar agradar o mercado.

Quando um negócio nasce de uma verdade, ele cria conexões muito mais profundas.

Também aprendi que empreender não é apenas crescer; é evoluir, adaptar-se e compreender que mudar de rota não diminui uma história. Muitas vezes, é justamente isso que permite que ela continue florescendo.

Como você gostaria de ser lembrada pela trajetória construída à frente da Recatu e qual legado pretende seguir cultivando?

AS -Gostaria de ser lembrada como alguém que acreditou que os espaços podem cuidar das pessoas; que uma arquitetura sensível pode despertar emoções; que um jardim pode ensinar; que um chá pode ser um convite à presença.

E que o verdadeiro bem-estar nasce quando conseguimos viver em equilíbrio com a natureza e com os outros. Esse é o legado que desejo continuar construindo.

Depois de um ciclo tão marcante, o que vem de novo para Aline Siqueira?

AS – Neste momento, o que vem é uma pausa necessária para cuidar de mim, reorganizar prioridades e viver esse tempo com a mesma consciência que sempre procurei compartilhar por meio da Recatu.

A natureza nos ensina que existem ciclos de florescimento, recolhimento e renovação. Por isso, prefiro enxergar este momento como um redirecionamento, e não necessariamente como um ponto final.

Quanto à Recatu, acredito que nem tudo na vida precisa ser definitivo, mas ainda não sinto necessidade de definir exatamente como será.

Algumas respostas só aparecem quando respeitamos o tempo.

Perfil-

Aline Siqueira é arquiteta e urbanista, com especializações em Arquitetura de Interiores, Lighting Design e Engenharia de Segurança do Trabalho. Ao longo de sua trajetória, desenvolveu projetos residenciais, comerciais e corporativos com foco na criação de ambientes que promovem bem-estar, funcionalidade e qualidade de vida.

Também atua como reikiana e terapeuta em cristaloterapia clínica, integrando conhecimentos sobre arquitetura, biofilia e terapias complementares em uma abordagem voltada à saúde integral.

Foi idealizadora da Recatu, um espaço pioneiro em Manaus que reuniu natureza, arte, gastronomia sensorial, terapias integrativas e experiências voltadas à ampliação da consciência e ao bem-estar.

Onde encontrar:

Instagram: @recatu.oficial | @alinesiqueiraarquitetura