COLUNA DE LIDERANÇA POR NONATA MACEDO

Sou Nonata Macedo, administradora de empresas, com MBA em Business Administration pela Fundação Getulio Vargas (FGV), e uma trajetória de 28 anos de carreira dedicada à liderança e à construção de resultados. Há 24 anos faço parte da Procter & Gamble (P&G), onde iniciei como estagiária e hoje atuo como Diretora da Qualidade Assegurada.

É com muita alegria que estreio esta coluna na Revista Em Visão, a revista mais influente da Amazônia. Atuando no coração da Amazônia, quero compartilhar conhecimento, inspiração e experiências com leitores de todo o Brasil e do mundo.

Aqui, quero dividir aprendizados que marcaram minha trajetória profissional e pessoal, abordando temas como carreira, liderança, desenvolvimento humano e as competências que fazem a diferença para quem deseja construir uma carreira sólida, com ética, propósito e consistência.

Acredito que toda mulher possui um potencial extraordinário para transformar a própria história. Meu objetivo é compartilhar experiências reais e reflexões práticas para inspirar mais mulheres a acreditarem em seu potencial e construírem uma trajetória profissional com preparo, coragem, disciplina e paixão pelo que fazem.

Seja muito bem-vinda a esta coluna. Espero que cada encontro seja uma oportunidade de aprendizado, crescimento e inspiração para que você alcance resultados cada vez maiores em sua vida e carreira. Vamos conferir ? Boa leitura !!!

Morei em uma das periferias mais perigosas de Manaus. Meu primeiro salário não veio em dinheiro. Veio em forma de uma toalha.

Sim, uma toalha.

Trabalhei, entreguei, cumpri o combinado e, no fim, recebi uma toalha como pagamento. Naquela época, aquilo representava apenas um pagamento injusto. Só muitos anos depois entendi que a história nunca foi sobre uma toalha. Era sobre valor.

Hoje sou Diretora Executiva em uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo e participo de decisões que impactam negócios, pessoas e carreiras. Entre aquela toalha e a cadeira que ocupo hoje existem vinte e quatro anos de trabalho, escolhas difíceis, erros e aprendizados que nenhum treinamento formal foi capaz de ensinar.

Existe uma narrativa comum quando alguém olha para uma trajetória como a minha. Quase sempre ela é resumida a esforço e dedicação. Eu realmente trabalhei muito. Mas, se esforço fosse suficiente para explicar o crescimento profissional, metade das mulheres que conheço já ocuparia posições de liderança.

Passei sete anos me preparando para o próximo grande desafio da minha carreira. Entreguei resultados, liderei projetos relevantes, recebi excelentes avaliações. E, ainda assim, o próximo passo não vinha. Foi nesse intervalo que aprendi que desempenho, sozinho, nem sempre explica o momento das decisões.

Foi quando percebi que toda organização tem duas estruturas. A primeira aparece nos organogramas, nos valores escritos na parede, nos discursos da liderança. A segunda é invisível, e muitas vezes mais poderosa. Ela acontece nas conversas depois das reuniões, nos feedbacks que nunca são ditos e, principalmente, nas histórias que circulam quando você não está presente.

Ninguém me ensinou a enxergar essa organização invisível. Essas regras não estavam em nenhum manual. Aprendi observando, errando e sofrendo as consequências de não compreender como as decisões realmente aconteciam.

Foi assim que descobri uma verdade desconfortável: competência é indispensável, mas raramente explica, sozinha, por que algumas pessoas avançam enquanto outras permanecem no mesmo lugar. Empresas decidem também com base em confiança, reputação, percepção e na capacidade de alguém defender o seu nome quando você não está na sala.

E aprendi que, se você não participa da construção da sua própria narrativa, alguém fará isso por você. Dificilmente ela refletirá todo o seu valor.

É sobre isso que quero escrever aqui. Não para oferecer fórmulas de sucesso, muito menos para romantizar o mundo corporativo, que conheço bem demais para isso. Quero tornar visíveis as regras que quase nunca são explicadas, mas que influenciam profundamente as oportunidades e os caminhos profissionais.

E essas regras não pertencem a uma só fase da carreira. Elas valem para quem está começando e ainda tenta entender como esse mundo funciona; para quem já percorreu parte do caminho e se pergunta por que o próximo passo não chega; e também para quem alcançou a liderança e descobriu que, quanto mais responsabilidade se assume, mais complexas e silenciosas certas decisões se tornam.

Talvez aquela toalha tenha sido o meu primeiro grande aprendizado. Hoje, ela é um lembrete permanente de que valor não é algo que simplesmente nos entregam. É algo que precisamos aprender a reconhecer, comunicar e sustentar.

Não importa de onde você vem ou em que momento da carreira está. O ponto de partida faz parte da sua história, mas não precisa escrever sozinho o seu destino.

Porque aquilo que transforma uma carreira quase nunca está escrito no manual. Está entre as linhas.

Nonata Macedo

Foto: Acervo Pessoal

Diretora Executiva | Mentora de Carreira e Liderança

Instagram: @sounonatamacedo