Falando de Etiqueta: o Dilema entre o Ser e o Ter

Depois de muito refletir, compreendi que talvez não deva mais gastar o meu latim; que seja mesmo inútil falar de Etiqueta àqueles para os quais o significado disso só alcance mesmo uma etiqueta de roupa.

Entre o ser e o ter existe um oceano de coisas: vida, experiências, escolhas, atitudes e valores. São mares tortuosos, que não se irrompem somente com palavras e boa vontade. Por natureza continuo confiante e otimista, mas já aceito um certo determinismo.

Enfim, compreendo que serão incontáveis as palavras, bem como minha vontade e entusiasmo para falar, defender e enfatizar a importância das famosas regras de convivência no cotidiano desse nosso mundo de trocas contínuas, conexões múltiplas, ética e desafios o tempo inteiro. No entanto, é fato que simplesmente algumas pessoas param no “ter”; adquiriram tudo: bens materiais, um espetacular padrão de vida, visitas ao mundo todo… Mas aí se esgota sua percepção de mundo, ou seja: seu limite é o próprio umbigo!

O bom da vida é a capacidade de ser civilizado, gentil e solidário. E múltiplo! Entender que somos parte de um complexo e intrincado sistema de trocas; que somos só parte – o resto e o todo vêm do jeito como assumimos nossa responsabilidade de fazer algo que importe, que estabeleça uma diferença entre ser e ter. “Ser” é integralidade. “Ter” é incompletude. Sempre!

Quando ainda reservo alguma esperança na humanidade, gosto de acreditar que importa falar de posturas, cuidados, humanidade e elegância. Facilmente me empolgo e discorro sobre relações saudáveis, respeitosas e que guardam sempre a existência – mesmo silenciosa – do outro, que divide conosco espaço e presença, portanto, importa no contexto. Nunca estamos sozinhos e sempre é esperado algo de nós.

Nesse combate entre esperança e incredulidade, sigo pensando que exemplo é sempre pedagógico e, se a mim cabe alguma referência no assunto, estarei sempre atenta: com as coisas que digo, com o jeito como falo e com o carinho sincero que não distingue ninguém pelo ser ou pelo ter – as pessoas importam pra mim pela sua capacidade de me tornar melhor; desse jeito sou múltipla e multiplico minha capacidade de ter mais esperança nos outros.

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