Rachel Hatry é advogada com atuação destacada em Direito Civil e defesa dos direitos das mulheres

Rachel Hatry é advogada com atuação destacada em Direito Civil, defesa dos direitos das mulheres, licitações e contratos administrativos. Sua trajetória reúne experiência no serviço público, sólida formação jurídica e uma visão humanizada da advocacia. Mãe, profissional e integrante da direção da Comissão OAB Jovem, acredita no Direito como instrumento de transformação social. Nesta entrevista, compartilha sua história, desafios, conquistas e os propósitos que norteiam uma carreira construída com ética, excelência e compromisso com as pessoas.

 

Como sua formação e sua história pessoal influenciaram a decisão de atuar em direito civil e na também defesa das mulheres?

RH: Minha trajetória no serviço público tiveram um papel fundamental em como eu enxergo o Direito hoje. Durante anos, acompanhei de perto como decisões administrativas, conflitos familiares, questões patrimoniais e relações humanas impactam diretamente a vida das pessoas. Foi nesse contato diário com a realidade que desenvolvi um olhar mais humano, estratégico e responsável sobre a advocacia.

Entendendo que por trás de cada processo existem pessoas, histórias e consequências reais.

Meu objetivo sempre foi oferecer uma atuação segura, responsável e acolhedora, ajudando cada cliente a compreender seus direitos e tomar decisões com mais confiança e tranquilidade.

O que a motivou a incluir licitações e contratos administrativos em sua atuação profissional?

RH: O processo licitatório existe para garantir que a administração pública contrate serviços, obras e produtos de forma legal, transparente e vantajosa para a sociedade. Vejo nas licitações não apenas um procedimento técnico, mas um instrumento capaz de gerar desenvolvimento, oportunidades e eficiência.

 Para você, qual é a importância de ter um propósito claro ao exercer a advocacia?

RH: Quando o profissional compreende a responsabilidade que carrega, sua atuação deixa de ser apenas técnica e passa a ser humana, estratégica e comprometida com soluções reais.

Como mantém o foco nos objetivos profissionais diante das adversidades do dia a dia jurídico?

RH:  O dia a dia jurídico é marcado por pressão e desafios constantes, mas acredito que o foco nasce quando o profissional entende o propósito da sua atuação e o impacto que deseja gerar na vida das pessoas.

Como mãe, mulher e advogada, aprendi que resiliência, organização e responsabilidade são indispensáveis para lidar com demandas complexas. Manter o foco, para mim, está diretamente ligado à conexão com o meu propósito, à disciplina construída diariamente e à clareza sobre o valor real da minha entrega e da trajetória que estou construindo.

Como é sua rotina diária de trabalho e quais hábitos considera essenciais para manter a produtividade no escritório?

RH: A advocacia exige clareza e preparo emocional para lidar com demandas intensas e decisões que impactam diretamente a vida das pessoas. Por isso, busco conduzir minha rotina com equilíbrio e responsabilidade, conciliando estratégia profissional com cuidado pessoal.

Acredito que, para entregar o meu melhor, preciso estar bem por completo. Por isso, busco equilíbrio entre corpo, mente e espírito. Fortalecer minha fé, cuidar da saúde de forma preventiva, manter hábitos saudáveis, praticar atividade física e preservar tempo de qualidade com minha família e amigos são prioridades inegociáveis na minha rotina.

 Você tem alguma estratégia específica para conciliar a prática jurídica com a vida pessoal (família, autocuidado)?

RH: Acredito que produtividade está ligada a boa gestão do tempo.  Por essa razão, meu escritório possui localização estratégica e privilegiada, com segurança, serviços de valet sem custo adicional que proporcionam praticidade, além de ser totalmente equipado para oferecer conforto e eficiência no atendimento.

A modernização da advocacia também trouxe ferramentas que facilitam a gestão da rotina, como as audiências por videoconferência, que permitem mais flexibilidade sem comprometer a qualidade e a seriedade do trabalho jurídico.

Além disso, direciono minha atuação para áreas com as quais tenho afinidade e experiência prática, o que torna o exercício da advocacia mais estratégico, seguro e satisfatório.

Otimizando o tempo, conseguimos conciliar a vida pessoal com a profissional.

 Quais foram os maiores desafios que enfrentou na carreira, seja atuando por mulheres em processos civis ou em licitações  e como os superou?

RH:  O maior desafio da advocacia é a responsabilidade sobre o impacto que nossa atuação gera na vida das pessoas. Seja em um divórcio, na regularização de um imóvel ou em uma licitação, existem decisões importantes e expectativas envolvidas.

Por isso, a necessidade constante de atualização e preparo técnico é o que me impulsiona diariamente. E, sem dúvida, ver um resultado positivo refletindo diretamente na vida do cliente é uma das maiores satisfações da advocacia.

Houve um momento em que pensou em desistir? O que lhe devolveu coragem e perseverança?

RH: Já precisei em alguns momentos ir com mais prudência para avançar com segurança, mas nunca pensei em desistir.

Uma das minhas características predominantes é que eu gosto de mudanças, desafios e superação. São o que me estimulam e  fazem me sentir viva. Tudo faz parte do processo de aprendizagem e evolução. E o direito é exatamente assim, dinâmico, inconstante e volátil. Ser resiliente  me ajuda a transformar um obstáculo em força para continuar avançando.

 De que maneira você busca inspirar outras mulheres na profissão jurídica?

RH:   Busco inspirar outras mulheres  mostrando que é possível construir uma advocacia sólida, humana e comprometida, sem perder a autenticidade e a sensibilidade.

Atualmente, faço parte da direção e coordenação da Comissão OAB Jovem, onde procuro acolher, orientar e apoiar jovens profissionais nos primeiros desafios da carreira, além de incentivar a qualificação, o networking e o fortalecimento da advocacia amazonense.

Acredito que compartilhar conhecimento, abrir caminhos e fortalecer outras mulheres também é uma forma de transformação social e de construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

 Quais mensagens você gostaria de deixar para advogadas que ainda hesitam em empreender ou em assumir áreas tradicionalmente masculinas?

RH:   Que não permitam que o medo, a insegurança ou padrões já estabelecidos limitem a capacidade que possuem de ocupar espaços. A advocacia exige preparo, responsabilidade , posicionamento e competência, adjetivos que independem  de  gênero.

Acreditar no próprio potencial, investir em conhecimento e permanecer firme diante dos desafios é o que transforma presença em reconhecimento.

 Quais são seus planos para o futuro da sua atuação (escritório, especializações, novas frentes) e como pretende ampliar seu impacto no mercado?

RH:  O Amazonas possui um dos maiores polos industriais do país, a Zona Franca de Manaus, o que naturalmente amplia a demanda por uma atuação jurídica cada vez mais especializada. Pensando em expandir meu campo de atuação e me preparar para atender esse segmento com excelência, também estou me especializando em Direito do Trabalho pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

Você desenvolve ou pretende desenvolver projetos de apoio, capacitação e mentoria voltados a mulheres  clientes ou colegas? Como seriam?

RH:   Hoje consigo realizar esse tipo de atividade por meio da Comissão Jovem OAB da qual faço parte. Realizamos  cursos práticos, palestras, mentorias e grupos de estudos para auxiliar na superação dos desafios iniciais da profissão (como gestão de escritórios e uso de sistemas de processo eletrônico).

 Como encontra tempo para o autocuidado em meio às demandas processuais e administrativas?

RH: Consigo encontrar esse equilíbrio otimizando meu tempo por meio de uma rotina estratégica, com boa logística, utilização de ferramentas processuais e uma atuação direcionada para segmentos com os quais tenho afinidade, formação acadêmica e experiência prática. Isso torna a condução do trabalho mais fluida, eficiente e organizada.

Com uma gestão de tempo mais inteligente, consigo preservar momentos importantes para o autocuidado como: atividade física, fortalecimento da fé e tempo de qualidade com minha família e amigos.

 O que considera fundamental para manter o equilíbrio entre vida pessoal e carreira jurídica?

RH:  Acredito que o equilíbrio entre a vida pessoal e a carreira jurídica começa quando entendemos que produtividade não significa sobrecarga. Para mim, é fundamental manter uma rotina organizada, preservar momentos de qualidade com a família e cuidar da saúde física, mental e espiritual.

Fortalecer minha fé, praticar atividade física, manter hábitos saudáveis e respeitar meus limites são atitudes essenciais para o  meu bem-estar e reflete diretamente na qualidade da minha atuação profissional.

 Que conselho prático e inspirador você daria para mulheres que estão começando na advocacia e sonham em atuar em direito civil, defender outras mulheres e trabalhar com licitações e contratos administrativos?

RH:  Meu conselho é que invistam em conhecimento, prática e posicionamento profissional desde o início. A advocacia exige preparo técnico, coragem e constância. Também acredito que atuar com propósito faz diferença. Quando existe identificação com a área escolhida, a atuação se torna mais humana, segura e significativa. E o mais importante: não esperem se sentir totalmente prontas para começar. A experiência e a confiança são construídas ao longo da caminhada.

Fotos: Em Visão / Rafael Santa Rosa

Onde Encontrar:

Instagram: @rachelhatry.adv