“CARNE CRESCIDA” OU TUMOR?

A superfície ocular pode ser acometida por uma variedade de doenças, as quais podem ser de origem inflamatória, infecciosa, degenerativa ou neoplásica.

A conjuntiva é uma membrana mucosa translúcida e vascularizada que reveste tanto a esclera (conjuntiva bulbar), como as pálpebras (conjuntiva palpebral) e o fórnice. As lesões degenerativas mais comuns a acometerem essa membrana são as vulgarmente chamadas “carnes crescidas”, nome popular para pinguécula e pterígio.

Pinguécula é uma alteração extremamente comum, benigna, inócua, que surge como um depósito branco-amarelado na conjuntiva bulbar, próximo ao limbo, de tratamento geralmente desnecessário já que o crescimento é muito lento ou ausente.

Pterígio caracteriza-se por tecido fibrovascular que cresce da conjuntiva em direção à córnea (parte transparente da frente do olho) ultrapassando o limbo. Sua ocorrência é provavelmente desencadeada pela exposição à radiação ultravioleta, com prevalência de mais de 20% nas regiões tropicais. Sintomas comuns podem incluir irritação crônica, com ardência e sensação de ressecamento ocular, entre outros e, com o crescimento avançado podem chegar a comprometer o eixo visual com redução da acuidade. Nestes casos, o tratamento pode ser indicado, através da excisão cirúrgica. Outras indicações para a cirurgia seriam adaptação de lentes de contato ou até mesmo estética.

O pré-operatório com minucioso exame clínico e avaliação em lâmpada de fenda é fundamental para a programação cirúrgica e primeira suspeição entre uma típica lesão degenerativa ou se trata de lesão atípica com características neoplásicas.

A neoplasia maligna ocular mais comum é o carcinoma espinocelular de conjuntiva, com incidência de 3,5 por 100 mil habitantes em regiões próximas ao equador. Assim como o pterígio, também se apresentam com vermelhidão e irritação ocular, mais comumente na fissura interpalpebral próximo ao limbo, e a exposição à radiação ultravioleta também se constitui como um dos principais fatores epidemiológicos. Ressecção cirúrgica é o método tradicional de tratamento, e deve ser feita com margens de segurança e mínima manipulação, a fim de se conseguir melhor prognóstico com redução do risco de recidiva e cura, já na primeira abordagem. E o envio da peça cirúrgica ao laboratório para análise histopatológica é mandatório para confirmação do caso e orientação do médico quanto ao seguimento do paciente.

 

Sabrina V. Avi Cohen

Oftalmologista

Diretora do Centro de Oncologia Ocular do Amazonas

Atende em “Cohen – Centro Avançado em Oftalmologia”, av. Efigênio Sales, n. 2574, v8 Center, sala 6, Aleixo.

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RQE 3548

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