
Ela é apaixonada pela força das mulheres amazônidas e, ao conhecer o que ela mesma chama de “Trancoso da Amazônia”, enxerga a encantadora cidade de Novo Airão, situada a cerca de 200 km de Manaus e considerada a porta de entrada para o Parque Nacional de Anavilhanas, um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo. Traçando uma trajetória marcada por liderança, impacto social e compromisso com a comunidade, Marillia Torrês transforma propósito em ação ao defender o desenvolvimento das mulheres amazonenses e ampliar oportunidades para aquelas que, por muito tempo, estiveram à margem, principalmente nesta área da região amazônica.
Sua atuação une sensibilidade, estratégia e visão de futuro, evidenciando que investir em mulheres é impulsionar o crescimento de toda a sociedade. Quando uma mulher é fortalecida, ela transforma sua família, sua comunidade e o lugar onde vive. Para ela, o protagonismo feminino não é apenas um discurso; é uma construção diária.
Em que momento sua formação deixou de ser apenas uma profissão e passou a se tornar uma extensão do seu propósito de vida?
Ao chegar ao Amazonas, há 11 anos, compreendi que era tempo de esvaziar a “xícara” e me permitir absorver novos aprendizados nas vivências pelo interior do Estado. Anos depois, ao atuar na Secretaria de Esporte e, posteriormente, na Assembleia Legislativa do Amazonas, entendi que minha formação, aliada à conexão com a cultura, a arte e as necessidades do povo amazonense, me conduzia ao meu verdadeiro propósito.
O que a motivou a assumir um papel de força e voz ativa em defesa das mulheres da região Norte, especialmente em Novo Airão?
Sou fruto de oportunidades e de uma base familiar sólida. Novo Airão não foi apenas destino, foi chamado. Minha trajetória me preparou para liderar e influenciar, e hoje me posiciono não apenas como voz, mas como símbolo de esperança para o desenvolvimento e reconhecimento da mulher airãoense.
Como você enxerga o protagonismo feminino no desenvolvimento econômico de Novo Airão?
Vejo como uma força concreta de transformação. Quando uma mulher cresce, ela impulsiona toda a comunidade. No interior, é ela quem sustenta, organiza e empreende. Meu compromisso é abrir caminhos para que essas mulheres deixem a invisibilidade e assumam seu papel no desenvolvimento local.
De que forma o legado cultural amazônico influencia seu trabalho?
Novo Airão representa minha verdadeira integração ao Amazonas. É minha fonte mais genuína de inspiração e a base cultural que orienta minhas ideias e decisões.
Como equilibrar tradição e inovação na economia amazônica?
Não se trata de escolher entre um ou outro, mas de integrá-los com respeito. Inovar é fortalecer o tradicional, agregando valor, dignidade e protagonismo.
Quais os principais desafios das mulheres empreendedoras na Amazônia?
A invisibilidade e a mobilidade. Reduzir distâncias e ampliar oportunidades deve ser prioridade nas políticas públicas.
Como o comércio local pode se fortalecer com a liderança feminina?
A mulher traz um olhar coletivo. Ela pensa no negócio, na família e na comunidade, promovendo um comércio mais humano, sustentável e conectado à realidade local.
Qual o papel da união feminina na economia?
Fundamental. Quando mulheres se apoiam, fortalecem não apenas seus negócios, mas toda a estrutura social ao redor.
O que significa construir um legado em Novo Airão?
É concretizar um propósito: transformar mentalidades e promover qualidade de vida para as futuras gerações.
O que ainda precisa mudar para valorizar empreendedores amazônicos?
A forma como são vistos. É necessário reconhecer o pequeno empreendedor como protagonista da economia local.
Como sua formação em Direito contribui para sua atuação?
Ela me dá base estratégica e visão para desenvolver projetos com impacto real na vida das pessoas.
O que a motivou a atuar em ações filantrópicas?
A consciência de que posso ser ponte entre necessidades e oportunidades.
Como seu vínculo com a cidade fortalece seu compromisso?
Quanto mais conheço a realidade local, maior é minha determinação em gerar impacto positivo.
Quais iniciativas refletem esse compromisso?
Destaco o Projeto Entre Elas, que promove informação, capacitação e transformação social para mulheres e famílias.
Qual o papel da mulher na transformação social?
A mulher une liderança e sensibilidade, sendo essencial na promoção do bem-estar coletivo.
Que conselho daria a mulheres empreendedoras na Amazônia?
Fortaleçam-se primeiro como mulheres. Empreender é compreender o território, respeitar a cultura e agir com coragem. Cresçam e levem outras junto.
Como surgiu o Projeto Entre Elas?
Nasceu da parceria com a Dra. Andréia Sousa, com o propósito de levar informação, cuidado e esperança a mulheres do interior. Hoje, amplia seu alcance, incluindo famílias e novos segmentos sociais.
Como gostaria de ser lembrada em Novo Airão?
Como alguém que cuidou, conectou e abriu caminhos para quem se sentia invisível.
Uma frase que resume sua missão:
“Quando uma mulher é cuidada, ela se transforma. E, ao se transformar, transforma tudo ao seu redor.”
O apoio ao empreendedorismo feminino faz diferença?
Sem dúvida. Investir em mulheres é investir em famílias, comunidades e no desenvolvimento sustentável da sociedade.
Fotos:
Rafael Santarosa
Produção: EM VISÃO







