
Marina Goldfarb conhece casamentos de dentro para fora. Há quase 10 anos, atravessa o país cantando em algumas das cerimônias mais disputadas da elite brasileira, acompanhando de perto histórias, famílias e emoções em alguns dos cenários mais especiais do Brasil. Já testemunhou entradas de noivas inesquecíveis, pistas que atravessaram a madrugada, músicas capazes de silenciar salões, e o luxo de momentos que raramente aparecem nas redes sociais, que mudaram sua própria percepção sobre o que sonhava em um casamento. Talvez por tornar essa celebração seu escritório, quando chegou a sua vez de subir ao altar, percebeu que estava diante de um desafio inesperado, imaginar o seu próprio.
Desde o início, Marina acreditava que se casaria com algo mais minimalista. Sabia que Trancoso – lugar onde conheceu o noivo e onde também ficaram noivos – pedia uma estética mais leve, natural e sem excessos. Então, queria um vestido sem brilho, sem grandes bordados, que tivesse uma sintonia com a paisagem. Aproveitando uma viagem já marcada para Paris, decidiu visitar algumas maisons em busca do vestido ideal. Foi lá, que descobriu que essa simplicidade era mais difícil do que imaginava. Ela acabou se surpreendendo com silhuetas e brilhos, e passou a se enxergar em modelos completamente diferentes daqueles que havia imaginado, inclusive vestidos mais volumosos e dramáticos, distantes da ideia inicial que tinha construído ao longo dos anos.
O primeiro deles, criado pela maison Elie Saab, acabou se tornando um capítulo à parte na história da noiva. Marina será a primeira noiva do Brasil a usar um modelo da coleção Bridal Fall 2026 da maison. Como manda a tradição do ateliê fundado por Elie Saab, o vestido não foi desenhado do zero. A peça parte de um modelo original da coleção e passa por adaptações sob medida, sem que a estrutura criativa seja descaracterizada.
O vestido escolhido foge completamente da ideia inicial de Marina. Em vez de uma silhueta mais reta, como imaginava no começo do processo, ela acabou escolhendo uma peça com simplicidade escultural, porém com um volume dramático e muita calda. O modelo aposta em linhas limpas, decote reto e alças largas, com uma saia volumosa construída em mikado, tecido tradicional da alta-costura conhecido pela capacidade de criar imponência sem perder fluidez. O volume Mikado ballgown nasce de maneira escultural. Há grandiosidade, embora nada pareça excessivo. As costas profundamente decotadas em formato bailarina e a longa cauda criam um contraste delicado entre a pureza refinada e o impacto visual, como a própria marca descreve.
A relação da maison com a preservação do desenho original apareceu também durante as provas. Em determinado momento, Marina chegou a considerar retirar a cauda do vestido, imaginando que Trancoso talvez pedisse uma proposta mais leve e despretensiosa. A equipe da Elie Saab, porém, explicou com delicadeza que a força da criação estava justamente no equilíbrio daquela silhueta e que remover a cauda faria o vestido perder parte do impacto pensado originalmente pela maison. Durante uma das visitas ao ateliê, Marina ainda teve uma surpresa inesperada de conhecer o próprio Elie Saab, que foi extremamente gentil e atencioso com ela e sua família, tornando toda a experiência ainda mais especial e memorável.
Ao ser questionada sobre o processo de criação do vestido, Marina conta que a parte mais especial de toda a experiência foi poder dividir esse momento com a mãe. Muito próximas, as duas transformaram as viagens e provas em Paris em uma memória afetiva que pretendem guardar para sempre. A ida para buscar o vestido foi quase como viver um sonho de menina, ir buscar o grande vestido dos sonhos, se enxergar pela primeira vez como noiva e poder dividir tudo isso com a pessoa mais especial da sua vida, sua mãe. “Foi realmente a realização de um sonho!”, comenta Marina.
Esse cuidado aparece também na própria construção da peça. O processo criativo mobilizou diferentes especialistas do ateliê, entre modelistas, costureiras e profissionais dedicados exclusivamente ao trabalho manual do vestido. A peça demandou cerca de 28 horas de execução artesanal, conduzidas por aproximadamente cinco pessoas, e traduz um dos códigos mais reconhecidos da Elie Saab: a capacidade de criar volume e imponência sem comprometer a leveza. Confeccionado em mikado, o modelo utiliza aproximadamente 12 metros do tecido e 50 metros de tule ‘gomet’ para construir movimento e profundidade de maneira fluida, resultado de uma engenharia precisa que se tornou assinatura das coleções bridal da maison. O decote, outro elemento clássico da identidade Elie Saab, reforça a elegância contemporânea e a sofisticação estrutural que definem a silhueta da mulher da marca.
Para Marina, construir algo com a maison fazia parte de um imaginário antigo muito antes do casamento existir. Ela sempre acompanhou a trajetória de Elie Saab dentro da alta-costura e a maneira como suas criações atravessaram décadas no corpo de mulheres como Beyoncé, Celine Dion e Halle Berry. Durante a última prova em Paris, Marina encontrou o próprio Elie Saab no ateliê e os dois conversaram sobre o processo artesanal e a relação emocional que muitas noivas desenvolvem com os vestidos da marca. “Eu sempre admirei muito a história dele na alta-costura e o jeito como os vestidos conseguem ser grandiosos sem perder delicadeza. Ver de perto o cuidado que existe em cada detalhe foi muito especial. Conversamos sobre o vestido, o tecido, o caimento… Existe um respeito enorme pela tradição dentro daquele ateliê e você sente isso o tempo inteiro.”, diz Marina.
Quando finalmente se sentiu realizada com o vestido principal, surgiu uma dúvida que ela nunca tinha imaginado ter: faria sentido um segundo look? O vestido da cerimônia, assinado por Elie Saab, tinha presença, volume e, principalmente, uma longa cauda, o que fez com que esse questionamento surgisse, já que queria viver a festa intensamente, dançar leve, livre, sem pensar no vestido. Marina jamais havia se imaginado como uma noiva de dois vestidos, até cruzar, quase por acaso, com um modelo no atelier de Georges Hobeika, em Paris. Em meio a um verdadeiro mar de bordados, pedrarias e peças deslumbrantes, encontrou um vestido que parecia resolver todas as dúvidas de uma vez. Viu originalmente o modelo na coleção prêt-à-porter, em rosa, e se apaixonou imediatamente pela combinação da saia plissada, algo de que sempre gostou, com a parte superior inteiramente bordada à mão, como uma joia sobre o corpo. Pediu então que o ateliê recriasse o vestido em branco, com algumas alterações pessoais, e o resultado ficou exatamente como imaginava. O processo aconteceu quase inteiro à distância. As medidas foram tiradas em Paris, mas o vestido foi decidido tão em cima da hora que acabou chegando ao Brasil apenas um dia antes da viagem para a Bahia. Para seu alívio, e felicidade, vestiu como uma luva.
Diferente da imponência do vestido principal, o segundo look traz leveza e movimento. Desenvolvido pela Georges Hobeika, o vestido de noite foi confeccionado em cetim off-white plissado, com corpete em tule de seda bordado à mão com pérolas e fios de prata. A saia solta e plissada, os desenhos orgânicos que atravessam o colo e os bordados minuciosos criam o efeito de uma joia delicadamente desenhada sobre a pele, enquanto o movimento fluido da peça faz com que o vestido acompanhe o corpo quase como o vento.
“O vestido de noite foi confeccionado em cetim off-white plissado, com corpete em tule de seda bordado com pérolas e fios de prata. O bordado exigiu dois dias de trabalho manual meticuloso conduzido por dois artesãos especializados, enquanto o plissado e a construção do vestido levaram cinco dias para serem finalizados por dois alfaiates do ateliê”, detalha a maison Georges Hobeika.
A peça foi desenvolvida especialmente para Marina a partir da releitura exclusiva de um modelo da marca, em um processo conduzido entre Paris e o Líbano, reforçando o caráter artesanal e extremamente preciso da criação. Conhecido por transformar técnicas tradicionais libanesas em alta-costura contemporânea, Georges Hobeika construiu reconhecimento internacional justamente pela delicadeza de seus processos manuais. Grande parte das peças da maison passa por longas etapas artesanais, envolvendo bordadeiras especializadas, moulage feita à mão e aplicações individuais de cristais, rendas e bordados. Ao longo dos anos, suas criações vestiram mulheres como Jennifer Lopez, Beyoncé e Zendaya, consolidando a maison como uma das grandes referências atuais dos red carpets internacionais.


