Influência da família no atendimento odontológico por Micaella Garcia

O tratamento odontológico, apesar de se concentrar na boca, envolve a manipulação da face, parte do corpo, particularmente significativa do ser humano. Portanto, a relação dentista-criança deve ser bem trabalhada, pois quando o dentista executa o seu trabalho, invade este “espaço-íntimo” e a criança pode se sentir ameaçada.

Apesar  do contato do dentista com a criança ser sempre direto, o relacionamento do profissional com ela é mediado pela mãe ou pessoa responsável, que, na maioria das vezes, descreve seus sintomas. A ansiedade materna, muitas vezes, caracteriza-se por uma preocupação exagerada e constante pelo bem estar físico da criança. Os pais atribuem gravidade a qualquer sinal leve de mal estar que a mesma apresente. Pais extremamente ansiosos tendem a afetar negativamente o comportamento dos filhos.

Além da tensão normal que pode envolver o tratamento odontológico, é frequente haver influência decisiva da tensão da mãe, afetando o comportamento da criança e quanto maior a tensão daquela, maior será o problema gerado. É bom lembrar ainda que, se além da ansiedade materna ou de um membro próximo da família, todo o ambiente familiar for coadjuvante neste comportamento, maior será a ansiedade da criança.

Assim, mães muito ansiosas e tensas quando ao tratamento odontológico, na maioria das vezes, provocam grandes ansiedades em seus filhos, ainda que estes nunca tenham passado por experiências desagradáveis ou traumáticas em odontologia ou especialidades afins. Essas crianças, geralmente, apresentam-se tensas, assustadas, temerosas de que vão passar por experiências desagradáveis, algumas vezes tendo taquicardia e mostrando cara de medo.

Devido ao profundo mal-estar perante algumas manifestações, como o choro, os adultos tentam fugir de suas próprias emoções, procurando formas de diminuir ou controlar as alterações emocionais intensas das crianças, e conduzi-las para o ideal adulto, capaz de mascarar seus temores. Algumas vezes os pais podem “evitar” demonstrar seus medos e/ou ansiedades frente a uma situação, utilizando-se frases do tipo: “…seja bonzinho, seja homem, homem não chora…”, porém sabe-se que estas afirmações têm alta probabilidade de influir na auto-imagem e auto-estima da criança. Mensagens deste tipo podem acabar piorando a situação e, geralmente, são totalmente ineficazes para promover uma mudança no comportamento.

Ocorrem ainda outras situações, onde a criança percebe a inconsistência do comportamento dos pais ou o temor destes frente à situação. Esses fatores são muitas vezes observados pelo tom de voz, expressão facial, corporal, etc.

A presença dos pais durante o atendimento odontológico de seus filhos é uma questão discutida com frequência. Se a mãe não pode controlar sua ansiedade em frente à criança ou, por outro lado, interfere se a criança tira proveito indevido da sua presença, a mesma não deve permanecer ali. Porém, as crianças mais novas muitas vezes se sentem mais seguras em presença de um adulto que lhe seja familiar, no qual reconheça um poder de proteção.

Os pais podem ser considerados como aliados do dentista, pois podem ajudar durante o tratamento e fazer a criança se sentir segura e confortável. A atitude positiva dos pais favorece a sua presença junto a seus filhos durante o atendimento e aumenta a sua participação nas decisões tomadas.

A tendência atual é que os pais fiquem com seus filhos na sala de atendimento durante o tratamento odontológico e que auxiliem ativamente o dentista quando problemas de comportamento forem encontrados. Porém, para atender a todas as necessidades da criança e dos pais, o profissional tem de analisar cada caso individualmente, procurando atendê-las da melhor forma possível. Parece razoável encorajar os Odontopediatras a pensarem cuidadosamente em relação a sua política acerca da presença dos pais e serem flexíveis a respeito dessa situação.

Portanto, o objetivo final do atendimento odontopediátrico é guiar a criança em suas experiências e torná-la apta a aceitar os procedimentos, desenvolvendo atitudes positivas em relação à odontologia. De acordo com essa visão, o profissional tem de atender às necessidades dos filhos e da família para alcançar esse objetivo.

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