COLUNA ELIEZER MELLO

Entre Canais, Praças Reais e Diamantes do Velho Mundo

Tudo bem leitores da Em Visão?

Há viagens que versam como simples deslocamentos e há aquelas que, em sua essência, se transformam em verdadeiros rituais estéticos. O itinerário que percorre Bélgica, Holanda e Inglaterra pertence à segunda categoria: uma travessia por nações onde a história se ergue em pedra, a arte parece respirar pelas esquinas e a modernidade se insinua com a naturalidade de quem sabe coexistir com séculos de tradição.

A jornada começa na Bélgica, país diminuto em território, mas monumental em experiências. Em Bruxelas, a Grand Place se revela como um cenário coreografado entre fachadas douradas e aromas de chocolate que escapam das confeitarias seculares. A cidade, ao mesmo tempo sede política da Europa e guardiã de sua própria memória arquitetônica, conduz o visitante por um mosaico de culturas, onde o Atomium desponta como metáfora futurista de um país que sabe olhar adiante sem renegar suas raízes.

Bastam poucos quilômetros e uma rápida viagem de trem, para que o viajante adentre Bruges, um relicário medieval preservado com devoção. Seus canais tranquilos refletem, ao entardecer, uma paleta de cores que beira o onírico. As ruas de pedra, sempre silenciosas, convidam a um caminhar desacelerado, quase contemplativo, como se cada esquina fosse um fragmento de um conto de fadas que insiste em atravessar o tempo sem perder sua delicadeza.

A Antuérpia, por sua vez, traz a força de um destino que pulsa arte, moda e sofisticação. Entre ateliês vanguardistas e igrejas onde a obra flamenga atinge o ápice, a cidade se anuncia como a capital incontestável dos diamantes e não apenas no sentido literal. Antuérpia brilha naquilo que oferece: exclusividade, refinamento e uma atmosfera cosmopolita que seduz quem busca um luxo que não precisa ser proclamado, apenas vivenciado.

Seguindo rumo ao norte, a Holanda abre suas portas com a elegância despretensiosa que lhe é característica. Amsterdam, essa obra-prima urbana esculpida entre canais sinuosos e casas inclinadas, parece sempre estar prestes a revelar um novo detalhe, um novo traço, um novo brilho. Nos museus que abrigam Rembrandt, Vermeer e Van Gogh, o visitante experimenta uma espécie de intervalo sagrado, como se o tempo diminuísse o passo para permitir que a arte fale mais alto. Em bairros como Jordaan e De Pijp, a modernidade ganha forma em cafés efervescentes, mercados que celebram sabores do mundo e ciclovias que reescrevem a lógica da vida cotidiana.

E então, como clímax inevitável, surge Londres, a cidade que não precisa de apresentação.

Bastam os primeiros passos às margens do Tâmisa para que a magnitude do Big Ben e das Casas do Parlamento imponham um silêncio reverente. O Palácio de Buckingham, guardião das tradições reais, ergue-se entre jardins meticulosamente esculpidos, enquanto o Victoria Memorial brilha como joia dourada diante de uma metrópole que equilibra, com perfeição quase coreográfica, o peso da história e o ímpeto da modernidade.

Em contraste, mas jamais em conflito, a Piccadilly Circus revela uma Londres pulsante, moderna, elétrica e vibrante, onde o presente se ilumina em telões gigantes que, paradoxalmente, convivem harmoniosamente com praças icônicas como Trafalgar e Leicester. É nessa dualidade que reside o encanto londrino: uma cidade capaz de se reinventar sem perder seu inconfundível perfume aristocrático.

Ao final dessa travessia, o viajante percebe que o luxo não está apenas nos destinos, mas na maneira como eles se complementam. Bélgica, Holanda e Inglaterra constroem, juntas, uma narrativa de elegância plural em um percurso que transcende o turismo e se transforma em experiência sensorial, intelectual e quase espiritual. Um passeio ao Velho Mundo, escrito em reflexos de canais, luzes de palácios e horizontes que permanecem na memória como páginas de um livro que jamais se deseja terminar.

Obrigado leitores EM VISÃO! Até a próxima !