Cirurgias Tecnológicas por Sidney Chalub

Considerando os avanços da ciência e da tecnologia, as mudanças qualitativas nos instrumentos, materiais, formas de organizações da produção e do processo de trabalho que interferem nas práticas médicas constituem hoje, em pleno decurso do terceiro milênio, um verdadeiro desafio para os profissionais da area de saúde. O fator crucial desses avanços é a sua relação com a imediata aplicabilidade na prática, transformando-a em força de produção. Ao fazermos um retrospecto sobre o desenvolvimento técnico-científico, ressaltamos nossa anuência à concepção de conhecimento nascida da experiência de vida que faz parte do ser do homem, no momento em que a ciência está voltada para os resultados das investigações e continuamente em desenvolvimento de novas práticas caracterizadas como fruto de experiências vividas.

O mundo, atualmente, é definido pela transformação constante das práticas em diferentes campos de atuação, sejam elas influenciadas pelas novas tecnologias, pelas informações circulantes ou pelo conhecimento que se acumula.

Atualmente, muitas cirurgias são feitas com pequena incisão, através de aparelhos computadorizados. Esse tipo de operação é globalmente denominado “cirurgia minimamente invasiva” e pode ser aplicado para o tratamento de diversas doenças que necessitam de cirurgia para um resultado mais eficiente.

Entre essas doenças e problemas de saúde, como os que envolvem a área torácica, neurológica e até estética, um dos casos mais recorrentes desse tipo de cirurgia é o de pacientes com necessidade de cirurgia abdominal.

 Todas essas operações são por videolaparoscopia e podem ser empregadas na maioria dos casos, independentemente do paciente e da doença que levou à necessidade da cirúrgia. Nesses casos, poucas são as situações em que o método pouco invasivo não deve ser feito. Há também várias operações minimamente invasivas que se diferenciam da videolaparoscopia, utilizando a radiofrequência, como para certos tumores hepáticos ou renais, mas que são menos comuns.

 A videolaparoscopia é feita com pequenas incisões na parede abdominal pelas quais são introduzidos trocartes, tubos com válvula, após a injeção de gás carbônico no abdome, para criar um espaço que não existia, por insuflação. Por tais trocartes são introduzidos instrumentos cirúrgicos próprios, como tesoura laparoscópica, pinça de apreensão laparoscópica e uma ótica conectada a câmera de vídeo, que leva a imagem captada para um monitor. Desta forma, o cirurgião pode se orientar pela imagem.

 Quando se trata de comparar os métodos convencionais de cirurgia com os de pouca incisão, apesar de serem realizados os mesmos processos cirúrgicos, as vantagens são outras. “A vantagem geral da cirurgia minimamente invasiva é diminuir o chamado trauma cirúrgico. De fato, causa menos dor, melhor recuperação pós-operatória e melhor resultado estético. Em alguns casos, como na cirurgia endovascular, o trauma cirúrgico é muito menor também na manipulação intra-abdominal, permitindo tratar, eventualmente, pessoas que provavelmente não poderiam ser tratadas por cirurgia convencional”. Em ambas as formas de operação, o paciente está sujeito aos mesmos riscos cirúrgicos. Porém, é importante ressaltar que a forma de visualização do campo operatório, a região onde o cirurgião atua, é diferente, assim como o manuseio do instrumental. “O cirurgião precisa de um treinamento específico, mesmo que o procedimento em si seja o mesmo”.

Dentro desta realidade, a evolução tecnológica vem beneficiando inúmeras áreas da medicina, proporcionando a cura para doenças antes incuráveis e salvando vidas. Novas técnicas cirúrgicas dão mais segurança, facilitam a recuperação do paciente e reduzem o tempo dos procedimentos. Como é o caso da cirurgia robótica, criada com o objetivo de melhorar o trabalho das cirurgias minimamente invasivas e que se caracteriza pela presença de robôs em centros cirúrgicos sob o comando intelectual do homem – o médico.

 A cirurgia robótica é uma nova modalidade tecnológica, já em uso em inúmeros países no mundo, que vem conquistando seu espaço junto à classe médica no Brasil, nos principais centros de excelência hospitalar. Várias especialidades médicas, como a ginecologia, urologia e gastrocirurgia, vêm utilizando os benefícios da cirurgia robótica, especialmente em procedimentos considerados mais complexos.

Os aparelhos robóticos em cirurgias complexas contribuem para atingir o objetivo de tornar os procedimentos o menos invasivos, oferecendo segurança tanto para o paciente como para o médico. Na gastrocirurgia, área na qual atuo diretamente, o Brasil já tem vários casos registrados de cirurgias de grande complexidade, como cirurgia para diverticulite, cirurgias para câncer como, de pâncreas, de intestino ou estômago, e nas cirurgias ginecológicas, como em casos de endometriose já estendida para outros órgãos.

O sistemas robóticos trazem várias vantagens, como o aumento de liberdade de movimentação das pinças do cirurgião, maior precisão dos movimentos, melhor qualidade de imagem e realização de movimentos em 360 graus (como um punho) pela ponta da pinça. As pinças do robô são mais articuladas, principalmente, em suas extremidades, quando comparadas as pinças laparoscópicas convencionais. Além disso, qualquer possível tremor do cirurgião é eliminado pelo sistema e não é transmitido para o campo operatório.

Outras vantagens incluem o posicionamento mais ergonômico do cirurgião, tornando os possíveis erros causados pela fadiga menos prováveis e ainda criando uma perspectiva de telecirurgia – médico e paciente em locais diferentes, como na ficção. A imagem da região a ser operada em três dimensões permite muito mais acurácia e acuidade visual para o cirurgião. O desenvolvimento atual de mini robôs e técnicas associadas de realidade e navegação afetaram sobremaneira a tecnologia em uso hoje em dia. Por meio da nossa experiência atual notamos que ressecções colônicas e do reto, cirurgias anti-refluxo e cirurgia para tratamento da obesidade são seguras e eficazes nos pacientes.

Como reportado na literatura, podemos ainda fazer o uso híbrido do robô, quando parte das dissecções são feitas por via laparoscópica e outras partes são feitas com o auxílio do robô. Esta abordagem permite menor tempo cirúrgico em algumas situações.

Quem irá definir, no futuro, a mudança da via laparoscopica para a robotica e a melhor indicação será sempre o médico com bom senso, treinamento adequado, humanidade no relacionamento e tratamento ao paciente. Se o binômio médico-paciente não for a meta do nosso empreendimento descaracteriza-se a solidez de nossa sagrada profissão.

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