ATRASO DE FALA: SERÁ QUE TEM ALGO ERRADO?

Atraso de fala é uma preocupação comum entre os pais. Se o amiguinho do filho com a mesma idade já fala muito e o nosso filho não fala nada, já é o suficiente para aumentar nossas preocupações. “Meu filho não fala! Será que tem algo errado? Será que ele está com atraso de fala?” Calma, o negócio é não se alarmar!

Você sabe qual é o momento de procurar ajuda de um especialista? Ou ainda, o que fazer para estimular seu filho a desenvolver a linguagem? No post de hoje, nossa colunista Daniela Bariani, médica neurologista infantil, esclarece algumas dúvidas sobre atraso de fala.

MEU FILHO AINDA NÃO FALA! SERÁ QUE TEM ALGO ERRADO?

atraso da fala é uma queixa frequente no consultório do neuropediatra. Muitos pais acabam antes mesmo da consulta pesquisando na Internet sobre o tema e chegam no consultório muito ansiosos.

Se jogarmos no Google atraso de fala, certamente logo nos primeiros tópicos estará algo sobre autismo, sobre apraxia de fala e diversos outros diagnósticos possíveis que deixam os responsáveis apreensivos.

Nesta coluna tentaremos esclarecer algumas dúvidas e colocar um pouco de ordem na quantidade de informações que chegam aos pais. Vamos lá!

ESCLARECIMENTOS SOBRE ATRASO DE FALA

Entende-se por fala a pronúncia das palavras. A fala se inicia por volta de 1 ano de idade, com palavrinhas simples como mamã, papá, dá, água, etc. Antes disso, o bebê passou pela fase de balbucios (sons incompreensíveis) e lalação (da-da-da, ma-ma-ma). Espera-se que até os 2 anos de idade a criança esteja com um repertório de vocabulário maior e mesmo formando pequenas frases de 3 palavrinhas (“mamãe quero água”).

Se meu filho já tem 2 anos e não fala, ou fala muito pouco, devo me preocupar?

Para responder essa pergunta, vamos explicar o conceito de linguagem.

Linguagem é algo maior que a fala, é a tentativa de comunicação, seja por palavras, por gestos, pelo olhar, pela expressão facial.

Uma criança que ainda não fala, porém claramente tenta se comunicar, seja apontando para o que quer ou falando “tudo enrolado na língua dela” ou que procura algum outro meio para expressar sua vontade e se fazer entender, demonstra uma intenção comunicativa (o que é bom).

Por outro lado, a criança que não fala e também não procura meios para se fazer compreender, pode não ter só a fala, mas a linguagem comprometida. E então, o sinal de alerta para a possibilidade do espectro autista deve acender. Atenção: para se ter o diagnóstico de autismo é preciso preencher outros critérios além do atraso da fala e linguagem. Falaremos sobre autismo em um outro texto!

O QUE FAZER DIANTE DA CRIANÇA COM ATRASO DE FALA?

A primeira coisa a se fazer é determinar se trata-se de um atraso de fala/linguagem apenas ou se há um atraso motor associado. No caso de atraso de ambos (fala e linguagem + motor), denomina-se atraso global do desenvolvimento. Se for esse o caso, o direcionamento da investigação e dos possíveis diagnósticos muda.

A próxima coisa a fazer é checar a audição. Quem não ouve claramente, atrasa o desenvolvimento da fala. Crianças que têm otites de repetição, por exemplo, podem acumular secreção na parte interna do ouvido. O resultado é uma audição abafada, como se estivesse debaixo d’água. Consequentemente, acorre atraso de fala.

Além da audição, é preciso verificar se essa criança dispõe de estímulos para falar. Não é incomum vermos atraso de fala em crianças que ainda não vão para a escola, que não têm contato com outras crianças, que vivem cercadas de adultos que se adiantam à suas necessidades antes mesmo que elas precisem fazer o esforço de pedir. Não esquecer também do excesso de eletrônicos (TV, tablet, celular), que podem prejudicar o desenvolvimento da fala. Há crianças que passam o dia na frente de uma tela, o que é muito prejudicial. Criança precisa que falem com ela! Enfim, precisa de musiquinhas, precisa de muita repetição e atenção para desenvolver as habilidades de comunicação.

Checada a integridade das vias auditivas e o ambiente em que vive essa criança, o médico irá indicar a melhor abordagem. Por isso, é possível que seja necessário terapia com fonoaudiologia, talvez o ingresso na escola, uma mudança na rotina da criança, etc.

Também dependendo da avaliação do especialista, este poderá solicitar mais exames, como de neuroimagem, exames de sangue, eletroencefalograma, etc. Caso o médico verifique sinais de um possível quadro do espectro autista, ele poderá, além disso, indicar também outras terapias.

O importante é não deixar de consultar o pediatra ou o neuropediatra. Ele conseguirá avaliar o menor e determinar se existe atraso na fala. Ou ainda, se há atraso também da linguagem ou se o quadro pertence a um contexto maior como o espectro autista, por exemplo. A partir daí será indicado o tratamento adequado. Fiquem tranquilos e procurem um médico de confiança.

Fonte: https://www.macetesdemae.com

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