Árvore encontrada na Amazônia é do tamanho de um prédio de 30 andares

Cientistas fizeram uma expedição de 40 quilômetros para chegar até a árvore, que foi identificada por satélite em 2019, que pode ter 400 anos de idade.

Cientistas encontraram a maior árvore da Amazônia durante a 5º edição do projeto que mapeia essas gigantes no estado. Trata-se de um angelim vermelho (Dinizia excelsa Ducke) de 88,5 metros de altura localizado na região do Rio Jari, na divisa entre os estados do Amapá e Pará.

Em termos de comparação, a Estátua da Liberdade, em Nova York, tem 93 metros de altura, incluindo a base. O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, mede 38 metros da base até o topo da cabeça. Isto é, a árvore encontrada na Amazônia é um pouco menor que o principal símbolo de NY e bem maior que a estátua mais famosa do Brasil.

— Quando localizamos a gigante (em 2019), faltaram apenas três quilômetros para chegarmos até ela. Optamos por abortar a missão por falta de tempo, combustível e alimentação. Para sabermos o seu tamanho, a medição foi feita por um laser em um avião, que escaneia a árvore da raiz à ponta do galho mais alto — diz o coordenador da pesquisa, Eric Gorgens, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

Idade

Os pesquisadores estimam que a gigante tenha aproximadamente 400 anos de vida. Com cálculos matemáticos baseados na dendrocronologia — uma das técnicas de datação que se baseia nos anéis de crescimento das árvores — os cientistas pretendem comprovar o palpite. A altura do angelim pode ser comparada a um prédio de 30 andares.

Motivação

A busca às gigantes começou depois de o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) fazer mais de 800 sobrevoos na Amazônia, que resultaram na descoberta de sete árvores maiores de 60 metros. Em 2016, pesquisadores de universidades do Brasil, da Finlândia e do Reino Unido também já haviam analisado por satélite 594 coleções de árvores espalhadas por toda a Amazônia brasileira.

Em outubro de 2020, outra expedição levou estudiosos a quatro novas gigantes, na reserva do Rio Iratapuru, após uma pausa de sete meses no mapeamento devido à pandemia da Covid-19. A aventura possibilitou encontrar a mais alta castanheira já registrada na Amazônia, com 66,66 metros. No fim de setembro do ano passado, a equipe chegou à segunda maior árvore da espécie angelim-vermelho. Ela tem 85,44 metros de altura e idade estimada em cerca de meio milênio.

Qual a explicação dessas alturas?

Os cientistas não sabem dizer o como essas árvores conseguiram alcançar mais de 80 metros, mas dizem que é possível que a altura esteja relacionada com a grande distância de áreas urbanas e zonas industriais.

Também pode estar ligada ao fato de essas árvores serem uma “espécie pioneira”, ou seja, a primeira a habitar uma região após ela sofrer algum tipo de devastação.

O próximo desafio para grupo de cientistas que participou da descoberta é justamente entender o que levou essas árvores a atingirem alturas tão elevadas na Amazônia, tanto do ponto de vista ambiental, quanto do ponto de vista fisiológico.

Eric Gorgens, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), diz que estudos como esse levam muito tempo.

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