A Radiocirurgia de Crânio – A Cirurgia sem cortes

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A radiocirurgia de crânio na verdade não é uma cirurgia, mas é assim chamada pois tem o objetivo de destruir precisamente um tumor cerebral sem afetar as áreas sadias ao redor, assim como seria uma cirugia ideal. Na verdade, trata-se de uma radioterapia estereotáxica.

Dentre as doenças tratadas com essa técnica, as metástases cerebrais são as que possuem indicação mais precisa, onde a radiocirurgia confere um ótimo controle do tumor, com mínina lesão do cérebro sadio em lesões de até 4 cm de diâmetro. Mesmo os pacientes que apresentem doenças que configuram risco elevado para uma operação convencional, como as cardíacas ou as pulmonares, ou usam medicamentos anticoagulantes, podem ser submetidos à radiocirurgia.

Porém inúmeros outros tumores benígnos e malignos podem ser tratados. Condições vasculares, como as mal-formaçõesarterio-venosas (MAV´s) possuem indicações precisas para tratamento com radiocirurgia com boas chances de cura. Alguns tumores benignos também possuem uma alta taxa de cura com essa técnica, os Schwannomas vestibulares (neurinomas do nervo acústico), meningiomas e adenomas de hipófise são os exemplos mais comuns. Patologias “funcionais” também podem ser tratadas com radiocirurgia, como por exemplo a nevralgia do trigêmeo. Porém, doenças como o tremor essencial, epilepsia e doença de Parkinson também podem, em algumas ocasiões, ter algum benefício com o tratamento radiocirúrgico.

Apesar do nome, a radiocirurgia não envolve cirurgia. A radiação é aplicada externamente, sem abrir o crânio, sem internação e, frequentemente, em uma só sessão que dura de duas a quatro horas em média, Em muitos casos a radiocirurgia substitui a neurocirurgia aberta convencional, diminuindo os custos do procedimento (internação, anesetesia, UTI), diminuindo as chances e custos de efeitos colaterais associados à cirurgia (fisioterapia, fonoaudiologia, questões legais), e liberando o paciente mais cedo do ambiente hospitalar para aproveitar o tempo com seus entes queridos.

A radiocirurgia é um procedimento que exige muita precisão na localização do alvo a ser irradiado e no posicionamento e imobilização do paciente. Para isso, um anel metálico (estereotáxico) é fixado externamente ao crânio, oferecendo referências espaciais de fácil identificação e que permitem exatidão no direcionamento dos feixes de radiação. Nos casos em que a radiocirurgia é aplicada em múltiplas sessões, o arco não é fixado diretamente ao crânio do paciente, mas preso a uma máscara, colocada apenas durante os procedimentos.

A radiação é produzida através de um acelerador linear de elétrons, porém, o tipo de radiação é a mesma utilizada pelos aparelhos convencionais de RX para diagnóstico, com a diferença de possuir maior energia e ser aplicada em feixes com precisão milimétrica. Consequentemente, o tratamento é indolor, sem necessidade de cortes, sem necessidade de anestesia geral, sem necessidade de internação hospitalar, enfim, sem os cuidados pré-operatórios e sem os riscos pós-operatórios inerentes a uma cirurgia na qual é necessária a abertura da calota craniana.

 

Por

Alfredo Coimbra Reichl

Radio-oncologista

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